Depressão x tristeza, você sabe a diferença?

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Depressão é uma doença que afeta também a família de quem sofre com ela. A pessoa se isola, fica de mau humor, não sorri, só enxerga a vida em preto e branco. A tristeza até pode causar isso tudo também, mas logo passa. O sorriso volta logo, bem como a alegria e a disposição. É sobre essas diferenças que a psicóloga Andreia Calçada, pós-graduada em psicologia jurídica, autora dos livros Perdas Irreparáveis – Alienação Parental e Falsas acusações de abuso sexual, e mestranda em sistemas de resolução de conflitos, abordou no artigo que Clube das Comadres compartilha com vocês! Boa leitura. 

O atendimento a pacientes com depressão nos coloca em proximidade a algo que surpreende pela intensidade e pode ajudar a diferenciar da tristeza. Tal diferenciação é extremamente importante para realização do diagnóstico e para que o cidadão comum busque ajuda especializada caso necessário. Estima-se que 15 a 20% das pessoas tenham ou possam vir a apresentar depressão durante a vida.

A fala de um paciente em depressão nos traz uma visão de mundo limitada, associada à sensação de “falta de saída” que se alonga de forma continuada. A fala do paciente que saiu de uma depressão gira em torno de expressões como: “não consigo sair de outra como aquela” ou “não sobrevivo à outra depressão” ou ainda “me mato se sentir algo parecido com aquilo”. Um universo negro desenhado na percepção do indivíduo em depressão.

Diferentemente desse paciente, temos a pessoa que passa por momentos de tristeza, assim como passa por momentos de alegria.  A tristeza é um sentimento normal, que faz parte da vida psíquica dos seres humanos. E é a resposta a situações de perda, frustração e desapontamentos.

Faz parte de um processo normal de adaptação a situações de vida. Já que o retraimento decorrente faz a pessoa poupar energia e recursos, bem como reavaliar a vida e as condições que a levaram a vivenciar tal sentimento. É a ausência de satisfação pessoal quando o indivíduo se depara com sua fragilidade. E é importante para reavaliar a própria vida. É também uma forma de mostrar a quem está em volta que ele precisa de acolhimento.

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Psicóloga Andreia Calçada mostra a diferença entre depressão e tristeza para facilitar a vida de quem sofre com altos e baixos emocionais.

Diferenças entre depressão e tristeza

De acordo com Porto (1999), o luto normal pode se estender por até um a dois anos e deve ser diferenciado da depressão. Segundo ele, o luto normal se caracteriza pelo sentimento de profunda tristeza, exacerbação da atividade simpática e inquietude. As reações devem ser diferenciadas dos quadros depressivos propriamente ditos.

No luto normal, a pessoa usualmente preserva certos interesses e reage positivamente ao ambiente, quando devidamente estimulada. Segundo ele, não se observa, no luto, a inibição psicomotora característica dos estados melancólicos. Os sentimentos de culpa, no luto, se limitam a não ter feito todo o possível para auxiliar a pessoa que morreu; outras ideias de culpa estão geralmente ausentes.

Já na depressão, esse processo de tristeza se alonga e tende a piorar, provocando prejuízos na vida de quem é portador da doença.  A vida é afetada em diversos aspectos: pessoal e profissional. O aspecto antes apresentado como adaptativo perde esta função, gerando ampliação dos sentimentos depressivos.

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Depressão precisa ser entendida e tratada

É importante a atenção aos sintomas da depressão para que se busque tratamento. A depressão é uma doença e precisa ser entendida e tratada, em suas expressões, leve, moderada e grave. As sensações de tristeza são intensas e acompanhadas de pensamentos e sentimentos de autodesvalorização e culpa.  Fadiga extremada e ausência de prazer. Cognitivamente, a alteração da atenção, concentração e dos processos de pensamento são presentes.

O sono é alterado e perde a função de repor energia para que possa ser utilizada durante o dia, gerando lentidão e dificuldade de realização de atividades antes feitas com facilidade. A pessoa deprimida perde o apetite ou pode comer em excesso se tiver ansiedade associada. A sexualidade também é comprometida, pois o interesse sexual é diminuído.

Em função de todas essas mudanças, o comportamento da pessoa com depressão sofre diversas modificações. A tristeza e o choro são frequentes, o desânimo é intenso, há dificuldades na interação social e a pessoa se retrai. Muitas vezes, a irritabilidade também persiste. Com o tempo, as pessoas se afastam por não perceberem retorno da pessoa em depressão e provoca-se, então, um ciclo vicioso. A pessoa se sente rejeitada e se isola mais ainda.

A depressão é causada por uma interação de fatores psicológicos, ambientais, genéticos e sociais. Os pensamentos são parte importante do processo depressivo. As crenças centrais são formadas sobre si mesmo na interação com o meio em que se vive, gerando pensamentos e sentimentos negativos, que estimulam comportamentos disfuncionais.

Família deve participar do tratamento

Como exemplo, temos alguém que possui a crença de “incapacidade”. Ele possui pensamentos que lhe dizem que é incapaz e sentimentos que lhe trazem essa impressão. Terá medo de agir e se mostra com medo de errar.  Como consequência, não investirá a energia necessária para a realização de projetos. Por fim, sua profecia poderá se realizar: “realmente não sou capaz!”. A tendência agora é o isolamento e a diminuição do investimento energético na vida, em um ciclo vicioso. Esse é um processo importante da depressão.

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Portanto, a intervenção em uma pessoa com depressão deve ser ampla. A psicoterapia deve abordar seus processos de pensamento e sentimentos, bem como sua vida como um todo. A intervenção medicamentosa se faz necessária. A mudança de hábitos, como a alimentação e a realização de exercícios físicos deve ser efetivada.

A família deve ser inserida nesse processo. A depressão pode vir associada a outras doenças, é o que chamamos de co-morbidade.  O diagnóstico bem feito é importante para o tratamento adequado. Enfim, a boa notícia e que a depressão tem tratamento, porém precisa de empenho e cuidado em sua abordagem.

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