Olimpíadas: como prevenir as lesões no esporte

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As Olimpíadas começam na sexta-feira (5/8) e teremos a oportunidade de ver os atletas profissionais em ação. Para eles, a atividade física é encarada como um trabalho a ser desempenhado diariamente, em busca dos melhores resultados. Isso fica muito evidente nas Olimpíadas! No entanto, a vida profissional de um atleta tende a ser breve, atingindo o seu auge entre os 18 e 25 anos de idade e declinando a partir dos 30 anos. Essa brevidade se deve, principalmente, às lesões típicas do esporte.

O ortopedista e traumatologista Anderson Monteiro afirma que as lesões mais comuns do esporte estão relacionadas às torções. “Quem pratica esporte está sujeito a lesões. A atividade física previne uma série de doenças, mas sua prática incorreta pode levar a dores e distensões musculares se não houver o cuidado com o aquecimento e o alongamento adequados”, explica.

“As lesões decorrentes de esportes de contato, como futebol, basquete e handebol, são diferentes das ocasionadas por outras modalidades praticadas individualmente. Já que o contato físico aumenta o risco de contusão. As mais comuns são as entorses, também chamadas de torções, ruptura de ligamentos, contusões, distensões, estiramentos e contraturas musculares”, continua.

sport-high-united-states-of-america-ballOlimpíadas: atletas de elite em ação

Durante as Olimpíadas, veremos a importância de um bom condicionamento físico dos atletas. Segundo Anderson Monteiro, para é possível evitar as lesões por meio da fisioterapia desportiva. “Através do trabalho preventivo, realizado juntamente com o condicionamento físico e acompanhamento nutricional, busca-se a melhora no desempenho físico e o bem-estar geral dos atletas. É importante que as equipes esportivas quebrem o paradigma da vertente curativa da saúde para promover a prevenção das lesões e possíveis doenças”, alerta Monteiro.

O educador físico Fabrício Paini também vê como importante a preparação física e muscular na prevenção de lesões no esporte. “Atualmente, os atletas profissionais são submetidos regularmente à avaliação física, que concede dados que irão subsidiar a periodização dos treinos com as capacidades físicas (resistência, força, potência). Os treinos variam de acordo com o calendário de disputa dos torneios e o real nível de condicionamento físico encontrado. Por isso, o treino de fortalecimento muscular tem que ser alinhado aos treinos específicos de cada modalidade, com um trabalho interdisciplinar entre técnico e preparador físico”, explica.

cycling-bicycle-riding-sport-38296Fisioterapia no esporte

Para o fisioterapeuta e osteopata Felipe Alavarce, a fisioterapia consegue traçar uma metodologia de trabalhos corretivos para diminuição do risco de lesão durante as competições. “Hoje a fisioterapia é procurada não somente por pacientes com patologias presentes, mas também por atletas amadores e profissionais para um trabalho preventivo”, comenta.

A fisioterapia no esporte possui protocolos específicos para a recuperação pré, durante e após as competições. “Os atletas perceberam que o trabalho do fisioterapeuta é fundamental no dia a dia de seu trabalho. Tendo em vista uma maior eficiência nos treinamentos e um maior suporte para o que chamamos de recovery, que é o processo de recuperação pós treino. Com protocolos específicos de recovery, conseguimos atualmente diminuir consideravelmente a incidência de lesões durante as competições”, garante Alavarce.

No entanto, o fisioterapeuta e osteopata é contundente em afirmar que a coluna é a região que mais sofre em qualquer modalidade esportiva. “Grande parte dos atletas sofrem lesões na coluna por uma deficiência no preparo preventivo dentro de seu centro de treinamento, acarretando diversas complicações na região da coluna durante seu período de atividade como atleta profissional”, adverte Alavarce.

Condicionamento X prevenção

O trabalho de condicionamento físico, junto com descanso e alimentação regrados, são os principais fatores de prevenção contra lesões. “Um atleta com um bom alongamento e fortalecimento previne lesões musculares. Exceto os machucados por choque ou outro fator externo”, cita Fabrício Paini.

O educador físico argumenta que para cada modalidade, há um o treino específico muscular. “Por exemplo, no futebol tem o treino técnico de condução de bola e fundamento de chute, o treinamento tático de posicionamento e transição defesa para o ataque e o treinamento muscular para mobilidade, estabilidade e exercício de resistência”, explica.

6459069371_980da2167d_zAté quando?

Não há uma idade limite para a atividade física, seja de forma profissional ou amadora. Para o médico Anderson Monteiro, cada corpo é único em seus limites. “Para alguns, dedicar uma hora, três vezes por semana, a uma atividade física é o máximo. Outros não veem problema em treinar todos os dias. Há quem corra cinco quilômetros e esgote as energias, enquanto os maratonistas ainda têm fôlego de sobra”, enfatiza.

A grande diferença entre esses perfis não está apenas no condicionamento físico. Mas também na forma como encaram o limite apresentado pelo corpo e na própria predisposição para atividades extremas. “Enquanto para muitos esse é o ponto de chegada e marca o fim do treinamento, para um grupo de aficionados por adrenalina, é apenas o início de uma batalha travada com a mente para ir além e fixar novos desafios a serem superados” argumenta o ortopedista.

Monteiro ainda alerta que as pessoas devem ficar atentas aos sinais do corpo para não extrapolar os próprios limites. “Nosso corpo é dotado de mecanismos de defesa que garantem que possamos passar por momentos dos mais adversos. Mas para tudo há um limite”, finaliza.

 

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