Psicóloga discute educação emocional infantil

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Recebemos aqui na redação o livro Pausa no Cotidiano – Reflexões para pais, educadores e terapeutas, da psicóloga Raquel Barboza Lhullier. Raquel atua com crianças e pais e aborda na obra, publicada pela Sinopsys Editora, aquilo que cada vez mais é importante no contexto familiar: uma educação socioemocional com foco preventivo, que interessa aos pais e também aos profissionais da área da saúde e da educação.

Para a psicóloga, não existe receita de bolo. Mas existem inúmeras pesquisas e trabalhos que evidenciam aquilo que pode ser saudável no núcleo familiar e promover o bem-estar entre cuidadores e seus pequenos em fase de desenvolvimento. Pausa no Cotidiano – Reflexões para pais, educadores e terapeutas reúne artigos da autora na busca de auxiliar famílias a pensarem na construção da personalidade de nossas crianças.

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Psicóloga Raquel Barboza Lhullier, autora do livro que discute as habilidade emocionais das crianças. 

Fatores de proteção, desenvolvimento de resiliência e regulação emocional. Assuntos de última geração nos bastidores de profissionais voltados para a pesquisa e para o atendimento do público infantil estão no livro. Da mesma forma que outros temas sempre atuais nas práticas profissionais e domésticas, como construção de limites, frustrações, sono, alimentação, autoestima. E ainda convívio com amigos e animais, luto, aprendizagem, adaptação, maternidade e paternidade também são mencionados.

Conversamos com a psicóloga Raquel Barboza Lhullier para entender como os pais podem ajudar seus filhos na conquista de habilidades emocionais. Elas são essenciais para o desenvolvimento das crianças e na sua formação na fase adulta. Ela reforça que tudo começa com os exemplos que somos para nossos filhos.

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“Pessoas carecem de empatia”, diz a psicóloga

O que são habilidades emocionais?

“Podemos definir habilidade emocional como a capacidade de regular as emoções de acordo com as circunstâncias internas e externas. Extinguir emoções disfuncionais, transformar as situações negativas em experiências, como aprendizado. Tolerar emoções desagradáveis quando isso for necessário. No mundo atual, as pessoas carecem cada vez mais de empatia, a capacidade de colocarmo-nos no lugar do outro. As habilidades emocionais das crianças se tornam cada vez mais importantes. Em uma época em que existe muita valorização do potencial cognitivo e pouco incentivo a capacidade de sentir e viver relações empáticas. Já sabemos que crianças equilibradas
emocionalmente se relacionam e se desenvolvem seguras e confiantes, consequentemente aprendem melhor”.

Como desenvolvê-las nas crianças?

“Em primeiro lugar, somos os modelos para as nossas crianças. Devemos estar atentos ao nosso manejo emocional no cotidiano e qual o nosso modelo para elas. Assim como ajudá-las no que se refere ao que chamamos de regulação emocional. Um dos pontos principais é a validação emocional. Por exemplo: devemos ensinar que ‘eu posso e devo sentir o que estou sentindo (raiva, medo, tristeza etc…); o que devo cuidar é o que fazer com estas emoções’. E mais, ‘o que penso e sinto não me definem como pessoa e sim o que eu faço’.  A partir do momento em que consigo me perceber emocionalmente de uma maneira mais clara e me aceitar, consigo me colocar no lugar do outro.

Além do incentivo a relações empáticas, é importante ajudar a criança a enfrentar os pequenos problemas do dia a dia e principalmente desconstruir os extremos a que estamos acostumados na nossa cultura, de culpabilizar os outros pelas coisas que não conseguimos, muitas vezes evitando o contato com frustrações”.

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“O presente é o que temos e onde estamos”

“Gostaria de lembrar aos pais que a infância é um período curto e que a construção de segurança e autonomia depende imensamente da presença afetiva deles, orientação, cuidados básicos e muita paciência, além de amor. Todas as nossas experiências fazem parte do repertório de aprendizado para a vida das crianças. Portanto errar faz parte, tentar corrigir e reparar os erros é fundamental, tanto por parte dos pais como das crianças. Gostaria de deixar um pedido, assim como faço no livro, de respeitarem os filhos e a capacidade deles sonharem, se encantarem com as pequenas descobertas e principalmente aprenderem com as experiências. Não percam o encantamento com a vida, com o prazer e o lúdico”.

Crianças também precisam dar uma pausa no cotidiano? 

“O nome escolhido para o livro, Pausa no Cotidiano, é de um dos capítulos em que escrevi a respeito da falsa ilusão que, muitas vezes, construímos sobre um futuro em que podemos finalmente nos permitir descansar, repousar e/ou buscar fontes de prazer. Na verdade, podemos e devemos nos permitir pequenas pausas no cotidiano ao invés de ficarmos idealizando ou esperando pelo dia de amanhã. O momento presente é o que temos e onde estamos. Tudo é uma questão de prioridade em meio a correria que vivemos principalmente quando tentamos conciliar trabalho e educação das crianças”.

Pequenas pausas são necessárias, para nos observarmos, observar o que nossas emoções nos dizem assim como verificar os nossos pensamentos. As crianças, por elas mesmas, possuem uma capacidade de se conectarem ao que estão fazendo no momento presente. Com olhar atento e de descoberta com o mundo. Incentivar pequenas pausas entre suas atividades permitem o contato com o olhar atento em si mesmas, em relação as sensações físicas, emoções e pensamentos. Viver realmente o momento presente com todas as alegrias e dores que possam existir”.

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