Síndrome de Down: guia de alertas e cuidados

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21 de março: Dia Internacional da Síndrome de Down. Nessa data, toda a atenção se volta para o assunto, que intriga e sensibiliza ao mesmo tempo. Presente em um a cada mil nascimentos em todo o mundo, a Síndrome de Down é uma das doenças genéticas mais pesquisadas por especialistas tanto na infância quanto em fases mais tardias.

Mas quando o tratamento realmente começa? Segundo o neuropediatra Dr. Clay Brites, especialista da Neuro Saber, após a confirmação do diagnóstico, a família deve já incluir a criança com Síndrome de Down em vários eixos de cuidados e intervenções para assegurar adequado crescimento e desenvolvimento.

Brites ressalta que, atualmente, a medicina já dispõe de um planejamento terapêutico mais completo. E que leva em consideração cuidados em todas as fases de sua vida, do recém-nascido ao idoso, com a finalidade de garantir qualidade de vida a longo prazo.

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Neuropediatra Dr. Clay Brites explica os cuidados que devemos ter com crianças com síndrome de down. Fotos Divulgação

 

Síndrome de Down: problemas cardíacos

O especialista diz que, devido às suas peculiaridades, essa síndrome pode levar ao comprometimento de vários órgãos e sistemas de funcionamento desde a primeira infância. “Por isso, é fundamental os pais terem muito atenção em diversos fatores”, orienta.

Um deles diz a respeito das alterações cardíacas. O neuropediatra explica que esse problema está presente na maioria dos pacientes. É comum encontrar casos de malformações cardíacas, que levam a modificações estruturais e no funcionamento desse órgão. “Isso traz variadas consequências para a criança com Down, como dificuldades de ganho de peso e restrição aos exercícios e movimentos”, complementa.

Outro ponto são os problemas hormonais e de crescimento. A baixa estatura é uma constante, além de problemas hormonais, como hipotireoidismo e déficit de hormônio de crescimento. Brites explica que por conta disso é frequente observar a obesidade nesses pacientes. “É necessária uma alimentação saudável e reposição hormonal para correção destas alterações desde cedo”, continua.

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Além disso, essas pessoas possuem um risco elevado de infecções e complicações. O especialista diz que crianças com SD tem baixa imunidade e costumam ter déficits de fatores imunológicos. “Há necessidade de serem submetidos a esquemas vacinais exclusivos e vigilância constante quando a condutas mais prudentes em caso de virem a desenvolver alguma infecção”, alerta.

10% deles têm autismo

Portadores da Síndrome de Down também apresentam riscos de desenvolver leucemias e outros tipos de tumores. Problemas cognitivos e comportamentais são também muito comuns. Brites garante que todas as pessoas com SD possuem deficiência intelectual nos mais diversos níveis de intensidade.

Elas podem apresentar ainda Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade -TDAH- (40-50% dos casos), Autismo (10% dos casos) e outros transtornos psiquiátricos, como psicoses, TOC e fobias. “As escolas, portanto, devem dar o devido suporte com medidas de inclusão e atenção especial. Além disso, alguns podem ter problemas ortopédicos e posturais. De 5 a 8% desses pacientes, podem ter epilepsia também”, adverte.

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Na idade adulta, os cuidados são redobrados. Dados de pesquisas de 2015, debatidas na Primeira Conferência Internacional da Sociedade de Pesquisa em Síndrome de Down, mostraram que 50% desses pacientes desenvolvem Alzheimer e o aparecimento é mais precoce (em torno dos 40 anos).

“Hoje já se sabe que a SD é a causa genética mais comum de demências. Apesar do avanço científico, sabemos que a mortalidade desses pacientes é bem maior do que da população em geral devido aos problemas cardíacos. Por isso, os cuidados com eles devem ser redobrados, desde muito novos”, finaliza.

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