Câncer de mama: sintomas, riscos, tratamento…

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Neste mês, não se fala em outro coisa a não ser câncer de mama. Estamos no Outubro Rosa e o engajamento na campanha mundial de prevenção da doença aumenta a cada ano no Brasil. Muitas empresas estão engajadas em promover ações que visam conscientizar as mulheres sobre a prevenção. E fazem ações que visam direcionar um percentual de suas vendas para as entidades que trabalham nessa área.

Com tanta informação circulando, nada melhor que conversar com um especialista no assunto para dar detalhes do câncer de mama. Clube das Comadres entrevistou o oncologista Daniel Fernandes, cirurgião oncológico do INCA (Instituto Nacional de Câncer). Doutor Fernandes também é professor de cirurgia e oncologia na UNIGRANRIO e atende seus pacientes na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mais uma vez, aprendemos bastante sobre a importância da prevenção e do autoexame.

Câncer de mama - sintomas, riscos, tratamento - Clube das Comadres 2
Oncologista Daniel Fernandes esclarece todas as dúvidas sobre câncer de mama.

Câncer de mama e a mamografia

Qual é a definição dessa doença?
“O câncer de mama é um grupo heterogêneo de doenças, com comportamentos distintos. A heterogeneidade deste câncer pode ser observada pelas variadas manifestações clínicas e morfológicas, diferentes assinaturas genéticas e consequentes diferenças nas respostas terapêuticas”.

Como é feito o diagnóstico?
“O diagnóstico geralmente é suspeitado com a mamografia, que nada mais é que um raio-x da mama. Após uma mamografia com uma imagem suspeita de câncer de mama, é necessário a realização de uma biópsia do nódulo para confirmação de um câncer. Só assim poderá ser instituído o tratamento adequado”.

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Quando a mama deve ser retirada

• A relação tumor/mama não é favorável ao bom resultado estético.
• Há mais de um tumor na mesma mama.
• Se houver lesão ulcerada na mama.
• Ocorrer recidiva local após tratamento conservador.
• Além do tumor, existirem microcalcificações suspeitas.
• Margens exíguas ou comprometidas após tratamento conservador.
• Foi realizada radioterapia prévia no sítio cirúrgico.
• A paciente possui doença do colágeno em atividade.
• Houver indicação de cirurgia conservadora mas a paciente desejar a retirada completa da mama.



Principais causas

Onde há maior incidência?
“No mundo, a maior incidência do câncer de mama fica na Europa e a mais baixa no leste da Ásia. No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões (principalmente nas regiões sul e sudeste). Exceto na região norte, onde o câncer do colo do útero ocupa a primeira posição. Para o ano de 2016, foram estimados 57.960 casos novos, que representam uma taxa de incidência de 56,2 casos por 100.000 mulheres, segundo dados do INCA. Existe uma perspectiva de aumento do número de casos anualmente”.

Quais são as principais causas?
“O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença”.

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Fatores que aumentam os riscos do câncer de mama

Idade


Mulheres a partir dos 50 anos de idade têm maior risco de desenvolver câncer de mama. O acúmulo de exposições ao longo da vida e as próprias alterações biológicas com o envelhecimento aumentam, de modo geral, esse risco.

Fatores endócrinos/história reprodutiva

Estão relacionados principalmente ao estímulo estrogênico, com aumento do risco quanto maior for a exposição. Esses fatores incluem: história de menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos), menopausa tardia (após os 55 anos), primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade (nenhuma gestação), uso de contraceptivos orais e terapia de reposição hormonal pós-menopausa.

Fatores comportamentais/ambientais


Incluem a ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade na pós-menopausa e exposição à radiação ionizante. O risco de câncer de mama devido à radiação ionizante é proporcional à dose e à frequência. Doses altas ou moderadas de radiação ionizante (como as que ocorrem nas mulheres expostas a tratamento de radioterapia no tórax em idade jovem) aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Fatores genéticos/hereditários


Estão relacionados à presença de mutações em determinados genes. Mulheres que possuem vários casos de câncer de mama e/ou pelo menos um caso de câncer de ovário em parentes consanguíneos, sobretudo em idade jovem, ou câncer de mama em homem também em parente consanguíneo, podem ter predisposição genética e são consideradas de maior risco para a doença. O câncer de mama de caráter hereditário corresponde, por sua vez, a apenas 5% a 10% do total de casos.



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Câncer e alimentação

Em que idade o câncer se manifesta?
“O câncer de mama se manifesta mais freqüentemente a partir da 5ª década. Mas pode ocorrer, em menor freqüência, em mulheres antes dos 50 anos.

A alimentação pode influenciar?
“A alimentação com certeza influencia no aparecimento do câncer de mama, uma vez que o sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para o surgimento da doença. Segundo dados do INCA, a alimentação e a nutrição inadequadas são classificadas como a segunda causa de câncer que pode ser prevenida. Caso a população adotasse uma alimentação saudável, associada à prática de exercícios físicos regulares, mantendo o peso corporal adequado, cerca de um em cada três casos dos tipos de cânceres mais comuns poderiam ser evitados”.

Geralmente, nos tumores muito iniciais não há nenhum sinal ou sintoma da doença, sendo a mesma detectada apenas na mamografia de rastreio. A mamografia de rastreio, segundo o Ministério da Saúde, deve ser realizada por mulheres a partir dos 50 anos, a cada 2 anos. Uma vez que a detecção precoce determina uma maior eficácia no tratamento aumentando em muito a taxa de cura da paciente”.

Tratamentos disponíveis

Quais os sintomas quando a doença já se instalou?
“O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular. Mas há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais de câncer de mama são edema cutâneo semelhante à casca de laranja; retração cutânea; dor, inversão do mamilo, descamação ou ulceração do mamilo. Secreção papilar, especialmente quando é unilateral, sanguinolenta e espontânea, linfonodos palpáveis na axila”.

Homens estão livres desse câncer?
“Os homens não estão livres do câncer de mama. Porém, a incidência é muito mais baixa do que nas mulheres. Para cada 135 mulheres acometidas pelo câncer de mama, apenas 1 homem é acometido. Entretanto, qualquer homem com 50 anos ou mais, com nódulo mamário unilateral, deve procurar um especialista para a investigação diagnóstica”.

Quais são as terapias mais comuns?
“O tratamento do câncer de mama vai depender do estadiamento da doença, em que fase esta a doença: precoce ou avançada. Entre as modalidades terapêuticas estão a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormônioterapia. A cirurgia é a principal modalidade terapêutica, podendo variar desde uma segmentectomia mamária (mama é preservada) até uma mastectomia radical (retirada de toda a mama e dos linfonodos axilares). A quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia podem ser realizadas em conjunto, antes ou depois da cirurgia, variando de acordo com o estadiamento da doença”.

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Efeitos colaterais do tratamento
Cirurgia

• Principal efeito colateral é o edema do membro superior, que pode ocorrer ou não após a linfadenectomia (retirada dos linfonodos) axilar.

Quimioterapia

• Os efeitos colaterais ocorrem porque a quimio não atua apenas nas células do câncer, ela acaba atingindo também as células normais. • Dependem do tipo e da dose das drogas administradas e do período de tempo do tratamento, além do organismo do indivíduo que reage de forma diferente em cada caso.
• Há perda de cabelo, perda do apetite, náuseas e vômitos, diminuição da taxas sanguíneas, infecções (devido a diminuição da imunidade), hematomas ou hemorragias (por diminuição das plaquetas).
•Também ocorrem fadiga, neuropatia, formigamento nas mãos e pés, problemas cardíacos, aftas e diarreia, cólicas abdominais, aumento da sensibilidade da pele ao sol.
• Mais raramente podem ocorrer diminuição da força contrátil do músculo cardíaco (insuficiência cardíaca), arritmias, espasmo das artérias coronárias (com sintomas de infarto), toxicidade pulmonar com falta de ar, tosse seca, constipação.

Radioterapia

• Seus principais efeitos são na pele. Ela poderá ficar vermelha, irritada, queimada ou bronzeada, tornando-se seca e escamosa.
• Pode também provocar coceiras.
• Normalmente, essas reações desaparecem algumas semanas após o término do tratamento. A pele de cada pessoa reage de maneira diferente.

Hormonioterapia

• O objetivo desse tratamento é bloquear os hormônios do corpo,.
• A falta dos mesmos pode provocar sintomas  fogachos (ondas de calor no corpo), ressecamento vaginal, perda do desejo sexual, alterações dos níveis das gorduras do sangue, ganho de peso e maior risco de trombose.



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Um comentário em “Câncer de mama: sintomas, riscos, tratamento…

  • 21/05/2017 em 5:20 PM
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    Excelente dicas sobre menopausa, acredito que com seus conselhos a vida ficará mais fácil nesse período que todos nós mulheres enfrentaremos. Obrigada por compartilhar.

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