Prazer x orgasmo: um mundo de boas sensações

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Prazer, orgasmo, ereção, lubrificação, penetração… Para muita gente, a atividade sexual se resume a isso. Para nossa colunista Iracema Teixeira, sexo vai além disso! “A descoberta do sexo como fonte de prazer implica em ampliar a vivência erótica do contato corporal. Saber que a pele é o principal órgão sexual extragenital”, garante no artigo que escreveu sobre o tema. “Acariciar o corpo de seu (sua) parceiro (a) assemelha-se a uma viagem pelo universo das sensações. Sem dúvida, se constitui um ingrediente básico para uma relação sexual satisfatória”, complementa a psicóloga. Prepare-se para ter uma aula sobre como ter mais prazer na sua vida íntima. 

O ponto de partida de toda a atividade sexual prazerosa é o contato íntimo. O contato, seja no sentido subjetivo – o olhar, o sorriso, os gestos – ou através do toque, significa um encontro com tato. Lamentavelmente, em nossa cultura, o sexo é muito genitalizado. Está, ainda, circunscrito à penetração. Isso acarreta uma vida sexual empobrecida e com pouco prazer. Assim, torna-se fundamental reconhecer a sexualidade como uma expressão lúdica, em que o prazer é parte essencial.

A descoberta do sexo como fonte de prazer implica em ampliar a vivência erótica do contato corporal. Saber que a pele é o principal órgão sexual extragenital. Sua exploração levará à descoberta de uma fonte inesgotável de zonas erógenas. Sendo, portanto, um componente importante para a experiência do prazer sexual.

Prazer redobrado: acaricie o seu parceiro

Acariciar o corpo de seu (sua) parceiro (a) assemelha-se a uma viagem pelo universo das sensações. Sem dúvida, se constitui um ingrediente básico para uma relação sexual satisfatória. Porém, nem sempre ambos querem a mesma coisa. O que agrada a um, pode não agradar ao outro.

Além disso, a intensidade, a rapidez e o tipo do toque geram inúmeras reações. Indo do extremamente prazeroso ao extremamente desagradável. Assim, para que não aconteça um descompasso, cabe ficar atenta (o) às reações do seu par. E também aprender a diferença entre parar e prosseguir, rudeza e ternura, performance e afeição. Esse é um cuidado em que a pessoa é tratada como pessoa.

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Prazer é conquista recente das mulheres

Vale lembrar que o prazer sexual é uma conquista muito recente, principalmente para as mulheres. A relação sexual possuía, como único objetivo, a reprodução. Há alguns poucos anos, uma mulher que expressasse desejo sexual e orgasmo era tida como doente.

O orgasmo feminino era classificado como patológico e tratado clinicamente. Hoje o panorama é outro. A partir da liberação sexual, ocorrida nos idos da década de 60, o orgasmo feminino passou a ser uma obrigação; instituiu-se a tirania.

Se não tem orgasmo, tem problemas e precisa ser tratada. Claro que existem mulheres anorgásmicas (que não conseguem ter orgasmo) e isso constitui-se um problema gerador de muitas angústias. Só que essa obrigação gera tanta ansiedade e medo que a experiência de prazer e/ou o orgasmo ficam muito longe de serem alcançados.

Existem respostas físicas diretas que sinalizam um estado de excitação sexual: a ereção e a lubrificação vaginal. Tais reações são indícios de que o contato está sendo agradável. Contudo, quanto mais tempo for dedicado às carícias, a excitação sexual tende a aumentar, podendo deflagrar o orgasmo. Mas, o que é o tão falado orgasmo?

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Orgasmo envolve duas dimensões

Fisiológica

Caracteriza-se por contrações rítmicas e involuntárias, em resposta ao incremento máximo da tensão sexual. Apresenta-se como uma descarga de toda a energia sexual acumulada. Tais contrações na mulher concentram-se mais no clitóris, na vagina, no útero.

Nos homens, concentram-se no pênis, na próstata e na vesícula seminal. Contudo, estendem-se por todo o corpo, geralmente, em forma de uma tensão muscular generalizada. Acompanhada de taquicardia, sudorese, formigamento e respiração acelerada, deflagrando contrações do tipo convulsivas. Em seguida, surge um relaxamento, muitas vezes acompanhado por um alívio e bem-estar.

Durante o orgasmo feminino, ocorrem contrações pélvicas em intervalos de 0,8 segundos, em média. E pode consistir de 03 até 15 contrações. A reação orgástica masculina envolve uma certa padronização. Ao atingirem um determinado estágio de excitação sexual, ocorrerá, invariavelmente, a ejaculação, configurando um reflexo fisiológico. Esse momento é chamado de iminência orgástica.

Subjetiva

Esse aspecto se traduz pelas sensações de prazer que, por sua vez, são experiências muito individuais e variam, também, conforme a situação. Nas mulheres, observa-se uma enorme variação, quer na intensidade, duração ou frequência da experiência orgástica.

A experiência do prazer é muito variada no universo feminino e poderá vir ou não acompanhada pelo orgasmo. Em outras palavras, a mulher poderá não experimentar um orgasmo durante a relação sexual, mas isso não quer dizer que esteve privada de sensações de prazer.

Para os homens, fingir um orgasmo é muito difícil – a ejaculação é a evidência concreta. Mas isso não quer dizer que sempre experimentam orgasmos prazerosos. A experiência de prazer é um aspecto altamente subjetivo, conforme foi mencionado.

Alguns fatores podem influenciar, negativamente, a experiência do prazer sexual. São eles: cansaço físico, ansiedade de desempenho, falta de confiança no parceiro (a), curto espaço de tempo dedicado às carícias preliminares, locais não apropriados, pressa, consumo de bebidas e drogas, dificuldade de concentração nas sensações eróticas, dentre outros.

Enfim, para viver a sexualidade em sua plenitude basta que se conheçam as preferências, os desejos e os ritmos próprios, bem como de seu par. Deixar o corpo falar. Romper mitos. Deixar de lado a ansiedade em ter um desempenho nota dez. Libertar-se das culpas e dos medos. Permitir-se à entrega. Saborear. Sair do ar!”.





colunista2Iracema Teixeira é psicóloga, doutora em psicologia pela UFRJ, mestre em sexologia clínica (UGF), especialista em educação sexual (UGF/SBRASH). Membro docente associado ao Centro de Psicologia Formativa do Brasil, coligado ao Center for Energetic Studies (CA/EUA). Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana/SBRASH – biênio 2014-2015. Palestrante e conferencista. Colaboradora da Rádio Globo. Contatos: [email protected]/Facebook @amoreseamores /E-mail: [email protected]



 

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