Investidor é o imigrante da vez em Portugal

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Você já pensou na hipótese de se tornar um investidor em Portugal? A jornalista Sandra Luz, que mora em Portugal, fez uma análise do que o governo português pretende ao receber imigrantes. Afinal, há muitos brasileiros que conseguiram alcançar o sucesso em terras lusitanas. No fundo, o que importa é ir bem e ficar bem. E a nossa colunista garante: o que o governo luso quer é investimento. Então, queridos leitores, se você conhece alguém que quer se tornar investidor, mostre este texto a ele!



Acho lindo quando vejo como brasileiros estão trocando o Brasil por Portugal. E não escondo o espanto com as comparações em relação à mudança da rota, que antes apontava para Miami.

Não sei nada de Miami, de verdade, mas já estou entendendo um pouquinho sobre como as coisas funcionam em terras lusas e garanto, o que o governo quer é investimento. Quem assistir aos relatos dos casos de sucesso de brasileiros em Portugal abstraia a fuga da violência ou a indignação com os políticos. Foque no como a pessoa está, o que a levou até ali e quanto tempo isso durou.

No fundo, o que importa é isso: vir bem e ficar bem. Claro que é possível e o governo português até oferece incentivos pra quem deseja investir, criar uma via alternativa de empregos e gerar renda por aqui. Asseguro que empregos que exigem menor qualificação, como o de pedreiro ou auxiliares domésticos, eram abundantes na década de 90, assim que o país começou a receber os incentivos pelo ingresso na União Europeia, que ocorreu em 1993. Postos de trabalho assim foram a festa do imigrante brasileiro.

Quando Bruxelas apresentou a fatura, os salários baixaram, as pensões e, claro, a oferta de trabalho. Na segunda metade dos anos 2000, Portugal se reinventou e entrou na rota da qualificação, atraindo um outro tipo de imigrante, o estudante. Do Brasil, eles chegavam com incentivo do programa Ciências sem Fronteiras e bolsas para qualificação.

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Investidor em Portugal: há quem possa ajudar

Era o fôlego para o comércio e o mercado imobiliário. A crise brasileira, que fechou a torneira das bolsas, também refletiu por aqui e menos estudantes estão nos bancos lusos. Apesar de algumas limitações, reacendeu em muitos brasileiros o desejo de migrar. E, para quem deseja arrumar as malas, entre o muito a ser considerado está o investimento. Por que não? Gerir o próprio negócio é uma opção.

Para investir, é preciso conhecer o mercado, opções de financiamento, receptividade do produto e entender de legislação. Tem mais, lógico, mas também tem quem ensine. Entre as opões gratuitas está o PEI (Projeto Promoção de Empreendedorismo Migrante). O PEI fomenta o empreendedorismo entre as comunidades de imigrantes em Portugal desde 2009. Também recebem apoio os portugueses que retornam ao país. 

Esse programa é financiado pelo ACM (Alto Comissariado para Migrações) e tem apresentado bons resultados. Entre os objetivos do PEI está a orientação para a criação de um negócio de forma sustentada, reestruturar pequenos empreendimentos e estudar possibilidades de financiamento. No geral, é uma boa e eficiente alternativa para quem chega a Portugal e não sabe o que fazer.

Até as competências empreendedoras são analisadas e a pessoa vai confrontar as próprias limitações e vantagens para gerir um negócio antes mesmo da definição do modelo comercialEsse é o curso que recomendo para quem quer conhecer o sistema tributário português, as obrigações trabalhistas e deseja compreender como funciona o mercado local em suas mais diversas facetas.

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Portugal aguarda por startups

E o governo não espera somente por pequenos investidores, ao contrário, está apostando pesado na tendência das startups, criando programas específicos. A Startup Portugal, por exemplo, integra a estratégia para o empreendedorismo e prevê financiamento, qualificação e infraestrutura para o investimento em novos negócios.

Capacitação é a chave dos novos negócios. Essa também é a linha da Associação Nacional de Jovens Empresários, criadora da Startup Porto Accelerator. O objetivo da entidade é, literalmente, impulsionar empresas com perfil tecnológico e disruptivo (palavra da moda do mundo dos negócios que, entre outras coisas quer dizer romper). 

Exemplos de empresas assim integram o cotidiano da maioria das pessoas, é a Uber,Tinder, o AirbnbNenhuma delas foi criada em Portugal, mas é em Lisboa que acontece a Web Summit, o maior evento da área de empreendedorismo em tecnologia do mundo.

Bem, é claro que há muito o que dizer, mas a tônica é: oportunidades existem. É mais fácil o namoro entre investidor e oportunidade quando o primeiro já tem uma carteira recheada. Ainda assim, mesmo quem está sem recursos, pode tentar compreende o mercado e baixar por aqui. Firmeza.



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sandra-luzSandra Luz é jornalista e reside no Porto, a cidade invicta de Portugal. Atua há duas décadas com a produção de conteúdo jornalístico. Trabalhou em meios digitais, como o site Campo Grande News e na formulação do site do jornal O Estado de Mato Grosso do Sul. Atua na produção e gestão de conteúdo em Portugal, onde faz doutorado em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa. E-mail: [email protected]

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