Ruth de Souza, 96 anos: sucesso na Bienal do Rio

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A atriz Ruth de Souza saiu sob aplausos da tarde de autógrafos da XVIII Bienal Internacional do Livro, que acontece no Rio de Janeiro. A emoção marcou o lançamento da edição revisada do livro Uma Estrela Negra no Teatro Brasileiro: Relações Raciais e de Gênero nas Memórias de Ruth de Souza, de autoria de Julio Claudio da Silva. O lançamento aconteceu no sábado (02/09) no stand da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias).

Aos 96 anos, Ruth de Souza não escondia sua emoção com tantas demonstrações de carinho por parte de todos. “Foi tudo muito lindo. Não sabia que tantas pessoas conheciam o meu trabalho”, declarou. Bem humorada, a veterana abria um sorrisão e dizia “alface” na hora de posar para as as fotos. É assim que ela costuma brincar na hora dos cliques, por achar a pose fica perfeita. A atriz deixou o local feliz com os aplausos e acenando para os amigos e fãs que a prestigiaram.

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Livro que traça um paralelo entre a carreira da atriz e as relações raciais. Fotos Edmilson Saldanha

Com mais de 70 anos de carreira, a atriz Ruth de Souza é um dos ícones da dramaturgia nacional. Sua trajetória marcante da atriz abriu portas para os artistas negros no cenário artístico brasileiro. E um pouco dessa história pode ser conferida no livro publicado pela UEA Edições, lançada em setembro de 2015 e agora com edição revisada. Está com mais fotos e quarta capa assinada pelo ator Lázaro Ramos.

A carioca Ruth Pinto de Souza iniciou a carreira nos palcos. E foi na Cia Experimental do Negro que transformou o sonho de menina de ser atriz em realidade. Em 1945, ela  foi a primeira atriz negra a se apresentar no palco nobre do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Era o espetáculo O Imperador Jones.

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A atriz Ruth de Souza emocionada com o carinho do público na Bienal do Rio.

Livro não é biografia de Ruth de Souza

Depois ganhou uma bolsa. Passou um ano estudando e se aprimorando na Universidade de Harvard e na Academia Nacional de Teatro Americano, nos Estados Unidos. Daí para a frente, não parou mais: foram mais de 40 novelas, 33 filmes e dezenas de peças. Ruth foi a primeira protagonista negra da TV brasileira, em A Cabana do Pai Tomás (1969). Também foi a primeira brasileira a concorrer ao Leão de Ouro, no Festival de Veneza, por sua atuação no filme Sinhá Moça (1953).

Foi justamente esse pioneirismo, no aspecto da luta contra o racismo, que chamou a atenção do professor Julio Cláudio. Ele fez deste aspecto da trajetória de Ruth de Souza o ponto principal de sua tese de doutorado. “Dentro do propósito das universidades, de identificar a contribuição do negro na formação cultural do Brasil, e dentro do contexto da cultura do racismo, o livro enfoca esse teatro que surgiu para denunciar o racismo e abrir espaço para o artista negro. E Ruth de Souza tem importância ímpar nessa história”, conta o professor.

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Ruth de Souza, o autor Julio Claudio da Silva e o ator Kiko Mascarenhas.

O livro não é uma biografia. Mantém o foco entre os anos de 1945 a 1952, período em que a atriz ingressa no Teatro Experimental do Negro até seu retorno dos EUA. Em sua primeira parte, a obra aborda a memória pública Ruth de Souza. Analisa entrevistas que a atriz concedeu, inclusive para o MIS (Museu da Imagem e do Som) e para a produção da biografia Ruth de Souza: A Estrela Negra. Em sua segunda parte, aborda o acervo que a própria Ruth de Souza colecionou ao longo da carreira. São recortes com reportagens, críticas e registros dos trabalhos e prêmios conquistados.

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