Transtorno Explosivo Intermitente: já ouviu falar?

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Distúrbio pouco falado e abordado no Brasil, o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) se caracteriza pela dificuldade de gerenciar o sentimento de raiva, provocando uma manifestação impulsiva de comportamentos agressivos. Chamar alguém de explosivo e aceitar seu comportamento agressivo são atitudes corriqueiras, mas que merecem atenção.

O livro publicado pela Sinopsys Editora, Mente impulsiva, comportamento explosivo: Transtorno Explosivo Intermitente, aborda a temática com leitura simples. Escrita pela psicóloga Vânia Calazans, a obra é guiada de forma que o leitor imagine o paciente que possui o distúrbio, esclarecendo o que é uma atitude normal de uma série de comportamentos patológicos. “No momento do ataque de raiva, a pessoa acredita que essa era sua única alternativa, mas passado algum tempo, aparecem os sentimentos de culpa, vergonha, arrependimento, tristeza”, explica.

A autora ainda explica que, para ser considerado TEI, as atitudes têm que acontecer várias vezes, já que explodir eventualmente é natural. Por isso, o livro aponta as possíveis causas para o transtorno, além dos tratamentos mais indicados. “É importante salientar que o tratamento melhora significativamente a qualidade de vida do portador da doença”, afirma Vânia. Clube das Comadres conversou com a autora para conhecer um pouco mais sobre o assunto.

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A autora Vânia Calazans, que escreveu o livro que aborda o Transtorno Explosivo Intermitente. 

Guia do Transtorno Explosivo Intermitente

Como podemos identificar o transtorno explosivo intermitente?

“O TEI é um transtorno psiquiátrico caracterizado por falhas em gerenciar os impulsos agressivos. As pessoas que são acometidas pelo TEI apresentam comportamentos agressivos, impulsivos, que nunca são premeditados e sempre são muito desproporcionais ao evento estressor. Ou seja, a reação que essas pessoas têm, de explosão, de raiva, é sempre muito maior do que a situação ocasiona. São sempre reações muito desproporcionais. Exemplo: você está na internet, cai a rede por um curto tempo e a pessoa arremessa o notebook/computador longe. Essas pessoas têm muitas dificuldades de administrar frustrações, reagem de forma impulsiva e agressiva. Esses comportamentos ocorrem com uma curta frequência. Duas, três vezes por semana, quatro ou 5 vezes no mês. Precisa ter uma periodicidade para ser considerado patológicas as explosões de raiva”.

O estresse é o principal gatilho para o TEI?

“O estresse nunca é a causa do TEI, o estresse é um gatilho. Estresse é qualquer coisa que tire o humor do equilíbrio. Uma viagem, super interessante, que a pessoa está disposta a fazer, pode se tornar um estresse se a pessoa ficar preocupada se vai perder o horário de vôo ou se colocou tudo na mala. O estresse é considerado um dos maiores gatilhos pro TEI porque, na realidade, a pessoa que tem o transtorno sempre entende aquela situação que ela está vivenciando como a causadora da reação explosiva. Naquele momento, ela interpreta dessa maneira. Ela sempre interpreta que o outro foi responsável por ela ter perdido o controle. Qualquer situação pode desencadear o TEI. E pode ser uma situação banal: na fila do supermercado, quando o caixa demora para fazer o troco. Não necessariamente precisa ser uma situação difícil”.

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Qual o tratamento indicado? 

“O tratamento indicado é a terapia cognitivo comportamental, que é uma abordagem da psicologia associada a técnicas de respiração e relaxamento. Pesquisas e literaturas científicas demonstram maiores resultados com esse tratamento. Eu associo à hipnose e a hipnoterapia cognitiva como uma ferramenta complementar do tratamento. A hipnoterapia cognitiva também propicia um estado de relaxamento muito interessante e facilita o tratamento desses pacientes. Além disso, a necessidade do uso de um medicamento vai depender de uma avaliação psiquiátrica. Se o psicólogo entende que o paciente pode se beneficiar de um tratamento medicamentoso, ele encaminha ao psiquiatra, que faz uma avaliação e define qual a medicação mais adequada. O tratamento pode ser só a psicoterapia ou a psicoterapia associada”.

Tem cura?

Ainda não podemos falar em cura, pois os estudos no Brasil são recentes, 10, 11 anos. Nos Estados Unidos, as pesquisas datam da década de 70, mas para você falar em cura, precisa acompanhar esses pacientes ao longo de muitos anos. Então, ainda não temos esses dados. O que falamos é em gerenciamento. O tratamento melhora e muito a qualidade de vida do paciente e das pessoas com quem ele convive. Os pacientes se beneficiam muito do tratamento, aprendem a gerenciar o TEI. Assim, podem ter uma vida normal e tranquila”.

Se você acha que você tenha sintomas que podem fazer parte do TEI, procure ajuda com um profissional que tenha uma referência ou que você conheça e de sua confiança. Coloque suas dúvidas, sua percepção. E não deixe de fazer o tratamento, que tem resultados excelentes. O paciente não demora muito a identificar essa melhora, passa a ter benefícios logo no início do tratamento. Para quem conhece pessoas que tenham traços de TEI, ofereça a informação. Mas não insista, pois é importante que o paciente tenha consciência e opte pelo tratamento”.

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2 comentários em “Transtorno Explosivo Intermitente: já ouviu falar?

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